Memorando de entendimento assinado em Genebra prevê fim da guerra, alívio financeiro ao Irã e reabertura da rota que concentra um quinto do petróleo mundial.
Por que o preço da gasolina e do petróleo voltou a cair nas últimas semanas? Parte da resposta está em um acordo diplomático que vinha sendo negociado havia meses entre Estados Unidos e Irã, e que começou, enfim, a sair do papel. Depois de uma guerra que fechou parcialmente o Estreito de Hormuz, rota por onde passa parte significativa do petróleo mundial, os dois países assinaram um memorando de entendimento que prevê o fim das hostilidades e a retomada gradual da navegação na região. O acordo ainda enfrenta desconfiança de armadores e questões em aberto sobre o programa nuclear iraniano, mas já produz efeitos visíveis nos preços internacionais de energia e na percepção de risco geopolítico no Oriente Médio.
O que prevê o acordo assinado entre Washington e Teerã
O entendimento entre os dois países foi formalizado após meses de idas e vindas nas negociações. Segundo apuração da imprensa internacional, Trump afirmou que um acordo preliminar para pôr fim ao conflito foi assinado pelos EUA e pelo Irã, embora ambos os países tenham reconhecido que uma trégua permanente ainda precisa ser negociada. O documento, batizado de Memorando de Entendimento de Islamabad, foi formalmente assinado em cerimônia na Suíça, com participação do vice-presidente americano. CNN Brasil
Entre os pontos centrais do texto, o acordo estabelece os termos do cessar-fogo entre os rivais históricos, a reabertura do Estreito de Hormuz, algum alívio financeiro ao Irã e uma reafirmação de Teerã de que jamais produzirá uma arma nuclear. Em termos práticos, os Estados Unidos permitirão que o Irã volte a vender petróleo e produtos petroquímicos, e Teerã poderá ter acesso a um fundo de desenvolvimento de US$ 300 bilhões caso cumpra os compromissos relacionados ao seu programa nuclear em negociações futuras. As partes têm 60 dias para negociar os termos definitivos do acordo final. CNN BrasilCNN Brasil
Reabertura do Estreito de Hormuz ainda gera desconfiança
Apesar do otimismo diplomático, a normalização do tráfego marítimo na região é mais lenta do que o esperado. Reportagem da imprensa internacional mostrou que armadores afirmam que a confiança no acordo pode levar semanas, ou até um mês, para retornar após qualquer reabertura do Estreito de Hormuz, já que o entendimento apenas restabelece o cenário anterior à guerra, sem garantias adicionais de segurança. Executivos de grandes empresas de transporte marítimo afirmaram que só voltarão a operar na rota quando tiverem certeza de que o acordo entre os dois países é, de fato, sólido. CNN Brasil
Ainda assim, sinais de normalização já aparecem nos números. Levantamento recente apontou que aproximadamente 72 embarcações deixaram o Estreito de Hormuz em apenas 24 horas, num volume equivalente a cerca de 20 milhões de barris de petróleo movimentados no período, segundo dados do secretário de Energia americano. Como reflexo direto desse movimento, os preços internacionais do petróleo encerraram a quarta-feira em forte queda, no terceiro recuo consecutivo, com o WTI fechando a US$ 70,34 o barril e o Brent a US$ 73,87, à medida que parte do prêmio de risco embutido nos preços durante o conflito começou a ser retirado pelo mercado. Blog do transferbankBlog do transferbank
Impacto geopolítico além do Oriente Médio
O acordo entre EUA e Irã não fica restrito à região do Golfo Pérsico. Análises de política internacional destacam que o entendimento ocorre em um momento de reorganização mais ampla das alianças globais, com eleições em democracias estratégicas e uma nova corrida diplomática redefinindo posições em diferentes continentes. Para economias emergentes, como o Brasil, a estabilização do preço do petróleo tem efeito direto sobre a inflação interna e sobre o custo de combustíveis, já que boa parte da commodity negociada no mercado nacional segue a referência internacional.
O capítulo seguinte dessa negociação, porém, ainda está em aberto. As questões mais sensíveis, como o futuro definitivo do programa de enriquecimento de urânio iraniano e o alcance do programa de mísseis do país, ficaram fora do texto assinado e devem ser tratadas somente na próxima fase de negociações. Enquanto isso não se resolve, autoridades americanas e iranianas seguem em compasso de espera, monitorando se o frágil entendimento vai, de fato, se transformar em paz duradoura na região.
O episódio mostra como decisões tomadas a milhares de quilômetros de distância chegam rapidamente ao bolso do consumidor brasileiro, seja no preço da gasolina, seja na inflação de produtos que dependem de transporte marítimo internacional. Acompanhar o desenrolar dessas negociações, portanto, deixou de ser interesse apenas de especialistas em relações internacionais e passou a fazer parte do noticiário econômico do dia a dia, com reflexos que vão muito além do Oriente Médio.
Fontes consultadas:
- https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/acordo-eua-ira-preve-fim-da-guerra-mas-funcionamento-e-incerto-entenda/
- https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/leia-o-acordo-completo-de-14-pontos-entre-os-eua-e-o-ira/
- https://blog.transferbank.com.br/precos-do-petroleo-recuam-hoje/
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

