O mercado de criptoativos brasileiro atrai, todos os anos, um grande número de investidores que nunca compraram um ativo digital antes. Paulo de Matos Junior, que atua no mercado de câmbio e criptoativos desde 2017, costuma observar que a maior parte dos prejuízos de quem está começando não vem da volatilidade do mercado em si, mas de decisões tomadas sem informação suficiente sobre o funcionamento básico desse tipo de ativo. Com a regulação do setor mais clara desde fevereiro de 2026, quando entraram em vigor as Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, o ambiente para quem está começando ficou mais seguro em alguns aspectos, mas isso não substitui a necessidade de educação financeira antes de qualquer decisão de investimento.
Investir sem entender o que está comprando
Um dos erros mais recorrentes entre iniciantes é comprar um ativo digital apenas porque ouviu falar dele em redes sociais ou em grupos de mensagem, sem entender sua proposta técnica, sua forma de emissão ou o problema que ele se propõe a resolver. Essa lacuna de conhecimento deixa o investidor vulnerável tanto a decisões impulsivas quanto a promessas exageradas de retorno feitas por terceiros. Paulo de Matos Junior ressalta a importância da diligência e de entender sempre o produto comprado: antes de aportar qualquer valor, entender se o ativo tem um propósito claro, como servir de reserva de valor, sustentar contratos inteligentes ou viabilizar pagamentos internacionais, ajuda a formar uma expectativa mais realista sobre seu comportamento no mercado.
Não considerar o próprio perfil de risco
Outro erro comum é ignorar o quanto de volatilidade a própria situação financeira e emocional consegue suportar. O mercado de criptoativos é conhecido por oscilações intensas em curtos períodos, e decisões tomadas sob pressão, como vender em pânico durante uma queda ou comprar por medo de ficar de fora de uma alta, tendem a gerar os piores resultados no longo prazo. Definir previamente qual parcela do patrimônio pode ser destinada a ativos de maior risco, sem comprometer reservas essenciais, é uma prática básica de planejamento financeiro que se aplica também ao universo cripto, e que Paulo de Matos Junior costuma reforça em conversas com investidores iniciantes.
Ademais, há de se levar em conta também as mudanças causadas pela nova regulação. Com ela entrando em vigor, é natural que investidores associem o fato de uma corretora estar autorizada pelo Banco Central a uma espécie de garantia de bons resultados. Trata-se de uma confusão importante de desfazer: a autorização regulatória diz respeito à governança, à segurança e à conformidade da empresa prestadora do serviço, não ao desempenho dos ativos negociados nela. Criptoativos não contam com qualquer tipo de proteção equivalente ao Fundo Garantidor de Créditos, e seu valor pode oscilar de forma intensa, independentemente da solidez da plataforma utilizada. Entender essa diferença evita a falsa sensação de segurança que às vezes acompanha o processo de regulação de um setor.

Deixar de levar em conta certas partes do processo
Muitos iniciantes concentram sua atenção na escolha do ativo e da corretora, mas deixam em segundo plano cuidados básicos de segurança, como o uso de autenticação em duas etapas, senhas únicas para cada serviço e atenção redobrada a mensagens que pedem informações sensíveis. Boa parte dos prejuízos relatados por vítimas de golpes no setor cripto está relacionada a falhas nesse tipo de cuidado, e não a fraquezas no ativo em si. Guardar a frase de recuperação da carteira em local seguro e nunca compartilhá-la com terceiros, mesmo que a solicitação pareça vir de uma plataforma conhecida, é uma das orientações mais repetidas por quem acompanha de perto o setor, incluindo profissionais como Paulo de Matos Junior, que lidam diariamente com esse tipo de questão.
Outro erro recorrente entre iniciantes é tratar o investimento em criptoativos como uma corrida contra o tempo, buscando resultados rápidos em vez de definir um horizonte compatível com a natureza volátil desse mercado. Essa pressa costuma levar a decisões de compra e venda frequentes, baseadas em movimentos de curto prazo, o que tende a gerar custos operacionais mais altos e resultados menos consistentes do que uma abordagem com objetivos mais claros e prazos mais longos. Definir com antecedência por quanto tempo pretende manter uma posição, independentemente das oscilações diárias do mercado, é uma prática que reduz a exposição a decisões tomadas puramente por impulso emocional, especialmente entre quem ainda está construindo experiência no setor.
Como transformar esses aprendizados em prática?
Reunir esses cuidados em uma rotina simples ajuda a reduzir boa parte dos riscos evitáveis: estudar o ativo antes de investir, definir um valor compatível com o próprio perfil de risco, entender os limites da regulação vigente e adotar práticas básicas de segurança digital. Nenhuma dessas medidas elimina a volatilidade natural do mercado, mas juntas formam uma base mais sólida para quem está dando os primeiros passos no universo dos criptoativos, um processo que Paulo de Matos Junior descreve como contínuo, já que o próprio mercado e sua regulação seguem evoluindo.
Vale lembrar que nenhuma dessas práticas substitui a avaliação individual de cada investidor sobre sua própria capacidade de assumir riscos. O mercado de criptoativos segue sendo volátil, mesmo em um ambiente regulatório mais claro, e cada decisão de investir ou não deve considerar o contexto financeiro e os objetivos pessoais de quem está começando, sem pressa e sem se guiar por promessas de ganhos fáceis.

