O Ministério da Saúde protocolou, em 24 de setembro de 2026, um pedido para que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) avalie a inclusão das chamadas canetas emagrecedoras na rede pública. Os medicamentos são baseados em análogos do GLP-1, uma classe utilizada no tratamento da obesidade e de condições associadas, mas ainda não há oferta autorizada pelo SUS.
O pedido inicia uma etapa de análise que precisa considerar evidências científicas, segurança, custo-efetividade e impacto orçamentário. Também será necessário definir quais pacientes poderiam ter acesso aos medicamentos e em quais condições clínicas. Portanto, a iniciativa do governo não significa que as canetas já estejam disponíveis gratuitamente nas unidades de saúde.
De acordo com o Ministério da Saúde, a análise deverá seguir as etapas previstas para a incorporação de tecnologias ao SUS. O processo pode resultar em uma decisão favorável, em uma negativa ou na solicitação de informações adicionais antes de uma conclusão sobre o fornecimento dos produtos.
Compra pública pode reduzir preços, diz governo
Em 28 de setembro, a pasta informou que uma eventual compra em escala pública poderia reduzir os preços das canetas emagrecedoras entre 80% e 90%. O Ministério da Saúde estimou que a incorporação dos medicamentos teria um custo aproximado de R$ 1,5 bilhão por ano, caso a medida seja aprovada e implementada conforme os critérios que ainda serão definidos.
A projeção divulgada pelo governo está relacionada ao aumento da concorrência no mercado e ao registro de novos produtos no país. Segundo a pasta, 25 canetas emagrecedoras já foram registradas no Brasil, sendo 14 somente em 2026. A relação inclui versões nacionais, genéricas e similares, de acordo com as informações oficiais divulgadas sobre o cenário regulatório.
O Ministério da Saúde também afirmou que o número de usuários mensais desses medicamentos teria aumentado de aproximadamente 400 mil para mais de 750 mil. Ainda segundo a pasta, a redução dos preços nas farmácias chegou a cerca de 70% em menos de um ano. Esses dados foram apresentados como parte do contexto para avaliar a possibilidade de ampliar o acesso por meio de compras públicas.
Uso dependerá de indicação e acompanhamento
A possível incorporação ao SUS deverá ser acompanhada de critérios para evitar o uso indiscriminado dos medicamentos. O governo afirma que as canetas deverão ser utilizadas de maneira responsável, com acompanhamento clínico, alimentação adequada e prática de atividade física. A proposta não deve ser tratada como uma solução estética ou como alternativa ao atendimento profissional.
O público que poderia receber os medicamentos ainda não foi definido. Essa decisão dependerá da avaliação da Conitec e da elaboração de regras específicas para o tratamento, caso a incorporação seja aprovada. Entre os pontos a serem considerados estão o perfil dos pacientes, a gravidade da obesidade, as doenças associadas e a capacidade de acompanhamento pela rede pública.
A discussão envolve uma questão de saúde pública porque a obesidade pode estar associada a diferentes doenças e exige acompanhamento contínuo. Ao mesmo tempo, o alto custo dos medicamentos e a necessidade de garantir segurança aos pacientes tornam indispensável uma análise sobre os resultados esperados, a sustentabilidade financeira e a organização dos serviços de saúde.
Anvisa alerta para produtos sem registro
O avanço do debate sobre o acesso às canetas também ocorre em meio a medidas contra produtos irregulares. Em setembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a importação, a distribuição, a comercialização, a propaganda e o uso de uma caneta de GLP-1 chamada T36.
Segundo a agência, o produto não tinha registro sanitário no Brasil e não havia passado pelas avaliações de segurança e eficácia exigidas no país. A decisão reforça a necessidade de que pacientes não comprem medicamentos de origem desconhecida ou comercializados fora dos canais autorizados, mesmo quando anunciados como opções para perda de peso.
A Anvisa é responsável por avaliar e regular medicamentos comercializados no território nacional. Por isso, a existência de uma caneta anunciada na internet ou em redes sociais não significa que ela tenha autorização para uso no Brasil. A orientação de segurança é buscar atendimento de profissionais habilitados e verificar a regularidade do produto antes de qualquer utilização.
O que falta para as canetas chegarem ao SUS
O primeiro passo é a análise formal da Conitec, que deverá examinar as evidências clínicas e econômicas apresentadas no processo. Em seguida, serão considerados o impacto para o orçamento federal, a capacidade de aquisição e distribuição e as regras para prescrição e acompanhamento dos pacientes.
Até que essas etapas sejam concluídas, não existe decisão sobre a incorporação nem cronograma de distribuição na rede pública. A possibilidade de acesso gratuito, portanto, continua condicionada a uma avaliação técnica e a uma decisão administrativa posterior. O pedido do Ministério da Saúde representa o início do processo, e não a liberação imediata das canetas emagrecedoras no SUS.

