O Brasil defendeu, em 25 de setembro de 2026, que a preparação internacional para futuras pandemias seja baseada no fortalecimento dos sistemas públicos de saúde e no acesso equitativo a vacinas, medicamentos, diagnósticos e outras tecnologias. A posição foi apresentada durante uma reunião de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em Nova York, nos Estados Unidos.
O encontro ocorreu durante a Semana de Alto Nível da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU e tratou da prevenção, preparação e resposta a pandemias. Representando o governo brasileiro, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, apresentou as prioridades do país para ampliar a capacidade de resposta a emergências sanitárias internacionais.
De acordo com o Ministério da Saúde, a cooperação internacional em saúde deve garantir que os recursos necessários para enfrentar crises sanitárias estejam disponíveis de forma mais justa entre os países. A defesa brasileira inclui vacinas, remédios, testes diagnósticos e outras soluções desenvolvidas pela ciência.
Produção regional é apontada como estratégia de segurança
Além da distribuição equilibrada de tecnologias de saúde, o Brasil destacou a importância de ampliar a produção local e regional. A proposta envolve transferência de tecnologia e diversificação das cadeias de abastecimento, com o objetivo de reduzir a dependência de um número limitado de países e fabricantes em momentos de emergência global.
Essa discussão relaciona saúde pública, soberania tecnológica e relações internacionais. Em uma nova pandemia, a concentração da fabricação de insumos essenciais pode dificultar o acesso de países que não possuem capacidade industrial suficiente. Para o governo brasileiro, fortalecer a produção regional é uma forma de ampliar a autonomia e melhorar a resposta coletiva diante de ameaças sanitárias.
A agenda também possui impacto direto sobre o Brasil. O fortalecimento do Sistema Único de Saúde e da capacidade nacional de produção de medicamentos, vacinas e diagnósticos aparece associado à preparação para crises futuras. A estratégia apresentada na ONU combina políticas públicas internas com a busca por regras multilaterais capazes de evitar desigualdades no acesso.
Combate à desinformação integra preparação para pandemias
Outro ponto ressaltado pela delegação brasileira foi o combate à desinformação. Segundo o Ministério da Saúde, a existência de vacinas, medicamentos e outras ferramentas não é suficiente quando parte da população desconfia das instituições ou rejeita medidas de proteção por causa de informações falsas.
A desinformação, nesse contexto, é tratada como um fator capaz de enfraquecer políticas de saúde pública. A circulação de conteúdos enganosos pode afetar a confiança nas autoridades, dificultar campanhas de vacinação e comprometer a adesão a medidas recomendadas durante emergências. Por isso, o Brasil incluiu comunicação pública e confiança institucional entre os elementos necessários para a resposta a futuras pandemias.
A posição apresentada em Nova York amplia o debate para além da produção e da distribuição de insumos. A preparação sanitária também depende da capacidade dos governos de informar a população, coordenar ações e manter a credibilidade das instituições responsáveis pela proteção coletiva.
Compromissos multilaterais mencionados pelo Brasil
Durante a reunião, o Brasil reafirmou seu compromisso com o Acordo sobre Pandemias da Organização Mundial da Saúde e com a implementação das alterações do Regulamento Sanitário Internacional. Os dois instrumentos estão relacionados à organização da resposta global diante de riscos sanitários que ultrapassam fronteiras nacionais.
O governo brasileiro também defendeu a conclusão das negociações sobre o mecanismo de acesso a patógenos e repartição de benefícios, conhecido pela sigla PABS. A discussão envolve o acesso a informações e materiais relacionados a agentes causadores de doenças e a distribuição dos benefícios resultantes de pesquisas e produtos desenvolvidos a partir desses recursos.
Para o Brasil, esses compromissos devem contribuir para uma governança internacional mais equilibrada. A cooperação precisa combinar rapidez na troca de informações, acesso a tecnologias e reconhecimento das necessidades de países que enfrentam limitações de infraestrutura, financiamento ou capacidade industrial.
A participação brasileira na Assembleia Geral da ONU mostra como a saúde global passou a ocupar espaço estratégico na política internacional. Ao defender sistemas públicos fortalecidos, produção regional, transferência de tecnologia e enfrentamento à desinformação, o país associou a prevenção de novas pandemias à redução de desigualdades e ao fortalecimento da cooperação entre governos.
O tema foi discutido no contexto da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral, cuja programação e informações institucionais estão disponíveis na página das Nações Unidas no Brasil. A posição brasileira coloca a preparação sanitária como uma questão simultaneamente nacional, regional e global.

